Entre degustações, novidades do mercado japonês e um recorde brasileiro, a SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition — aconteceu entre os dias 14 e 17 de Outubro, no Tokyo Big Sight, reunindo profissionais da indústria cafeeira de diferentes partes do mundo.
Desta vez, minha participação foi um pouco diferente. Em vez de passar os dias percorrendo os corredores da feira, para trazer conteúdo para cá e para as redes sociais, fui convidada para integrar a equipe do estande da Colômbia.
Para quem acompanha o mercado de cafés especiais, é uma oportunidade de conhecer o que está acontecendo nos países produtores e observar as novidades apresentadas ao público japonês.
Três dias dedicados aos Cafés Colombianos
Fiquei responsável pela preparação dos cafés de todos os produtores participantes, respeitando as proporções de café e água, ou brew ratios, previamente testadas e aprovadas por eles.
Afinal, esses cafés atravessaram o mundo para serem apresentados no Japão, e meu compromisso era reproduzir cada receita com o cuidado necessário para preservar o perfil sensorial que seus produtores desejavam apresentar.
Embora minha função principal fosse a preparação das bebidas, sempre que os visitantes faziam perguntas, aproveitava para explicar um pouco sobre o café que estavam degustando naquele momento.
Para quem trabalha com educação cafeeira, essas conversas fazem parte do prazer de ensinar.

A Colômbia tem uma presença importante no mercado mundial de cafés especiais. Sua diversidade de altitudes e condições de cultivo permite a produção de cafés com perfis sensoriais bastante distintos.
Durante o evento, foi interessante observar a curiosidade dos visitantes e o interesse em conhecer melhor os cafés apresentados.
Agradeço aos produtores colombianos e à Embaixada da Colômbia pela confiança em meu trabalho e pela oportunidade de participar dessa edição da SCAJ.
Reencontro com meus Alunos na SCAJ
Fiquei muito feliz em receber a visita de alguns alunos que passaram pelo estande para me prestigiar. Mesmo com a correria da feira, conseguimos conversar por alguns minutos e registrar esses encontros que tanto valorizo.
É gratificante ver meus alunos participando de eventos como a SCAJ, buscando conhecimento e ampliando seus horizontes dentro do café.
Sempre digo que prestigiar o trabalho de um colega de profissão não diminui ninguém. Pelo contrário, fortalece os laços que construímos ao longo dos anos.
Agradeço a todos que reservaram um tempinho para me visitar. Foi muito bom reencontrar vocês e saber que estaremos juntos novamente no ano que vem!

PostCoffee: 200 Cafés para Descobrir
A japonesa PostCoffee chamou minha atenção pela dimensão de seu estande e pela grande exposição de cafés em grãos e drip bags.
A empresa trabalha com um catálogo de mais de 200 opções de café ao longo do ano, reunindo seleções de torrefadores japoneses e internacionais.

Um dos aspectos interessantes desse modelo de negócio é permitir que o consumidor conheça cafés de diferentes torrefações sem precisar visitar cada estabelecimento.
Os drip bags, bastante populares no Japão, também ocuparam espaço na exposição. São uma alternativa prática para quem deseja preparar café filtrado em casa ou no trabalho, sem depender de equipamentos mais elaborados.
Para quem gosta de experimentar diferentes origens e perfis sensoriais, a PostCoffee oferece uma seleção que merece ser conhecida.
Café Brasileiro faz História
No dia 16 de outubro, enquanto aconteciam as atividades da feira, um resultado importante movimentou o mercado internacional de cafés especiais.
Durante o Legends of Excellence Charity Auction, organizado pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), um café brasileiro alcançou o maior preço já registrado para o Brasil nos leilões da entidade.

O produtor foi Luiz Paulo Dias Pereira Filho, da Fazenda Santuário Sul, localizada em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais.
Seu café, um Geisha de processamento natural, foi arrematado pela empresa japonesa Snow Beans Coffee por US$ 200 por libra-peso.
Para dimensionar o resultado, esse valor equivale a aproximadamente R$ 134.581,67 por saca de 60 quilos, segundo os cálculos divulgados pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).
É importante esclarecer que a negociação envolveu um microlote de apenas 10 quilos, vendido por aproximadamente US$ 4.410. O valor por saca é uma conversão proporcional utilizada como referência.
O recorde anterior para um café brasileiro nos leilões da ACE havia sido registrado em 2018, quando um lote alcançou US$ 143 por libra-peso.
O leilão reuniu 12 produtores reconhecidos internacionalmente por seus resultados no Cup of Excellence, representando seis países produtores. Cada participante disponibilizou um lote de 10 quilos, e a arrecadação teve finalidade beneficente.
Outro café brasileiro também se destacou. Um Arara Natural da Fazenda Sertãozinho, produzido pela Orfeu Cafés Especiais, foi arrematado por US$ 151 por libra-peso pela Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita.
Os resultados reforçam o reconhecimento internacional dos cafés especiais brasileiros e mostram a importância do trabalho desenvolvido nas propriedades produtoras.
Carmo Coffees: Além do Recorde
Conheço Luiz Paulo há muitos anos, por estarmos sempre nos mesmos eventos, aqui no Japão e mundo afora.
Ele é um dos nomes ligados à Carmo Coffees, empresa de Carmo de Minas que atua na valorização e comercialização de cafés especiais brasileiros no mercado internacional.
Durante a feira, ganhei algumas amostras de seus cafés e até então, eu não sabia do recorde alcançado no leilão e foi uma surpresa tomar conhecimento somente depois que o evento terminou. Fala sério heim?
É muito bom acompanhar o reconhecimento de um profissional que conhecemos e saber que o café brasileiro continua conquistando espaço entre os compradores internacionais mais exigentes.
Mais do que o valor alcançado, esse resultado representa anos de trabalho na produção de cafés especiais e a busca constante por qualidade.
Até a próxima SCAJ
Depois de tantos anos acompanhando a SCAJ, continuo encontrando motivos para voltar a cada edição.
O mercado evolui, novas oportunidades surgem e sempre há algo que merece nossa atenção. É justamente isso que torna o universo dos cafés especiais tão interessante.
Espero que, ao compartilhar um pouco do que vivi nesta edição, consiga despertar em mais pessoas a vontade de conhecer esse universo de perto.
Nos vemos na próxima SCAJ!
Fontes consultadas: Specialty Coffee Association of Japan (SCAJ 2026); Alliance for Coffee Excellence (ACE); Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA); Forbes Brasil; CNN Brasil; PostCoffee Japan.