Foi o café que me levou até a terceira edição do Essential Beats Tokyo.
Ele esteve presente desde o início do projeto, preparado pela própria equipe, porque para Fernanda Sugimoto, idealizadora do evento, fazia sentido que uma bebida tão ligada às manhãs, às pausas e às conversas também fizesse parte daquela experiência.
Nesta edição, ela decidiu dar um passo além e me convidou para cuidar dos cafés. Aceitei o convite por curiosidade, também achei lindo o espaço que ela alugou e preparei um pequeno menu para acompanhar a proposta daquela manhã.

Enquanto servia as bebidas e observava o evento acontecendo, percebi algo que vejo há muitos anos no meu trabalho: o café tem essa capacidade quase espontânea de aproximar pessoas.
Muitas conversas daquele domingo começaram exatamente assim: com um café nas mãos. E foi também ali que nasceu a vontade de conhecer melhor a história por trás do Essential Beats e de quem havia imaginado tudo aquilo.

Uma Ideia Que Esperou Quase Dez Anos
Há cerca de dez anos, Fernanda era proprietária de um bar em Shin Yokohama / Kanagawa. Gostava da música, da dança e da energia dos encontros, mas, ao mesmo tempo, já buscava uma vida mais voltada ao bem-estar.
Foi nesse período que surgiu uma pergunta que permaneceu guardada por anos: por que diversão e autocuidado precisavam existir em mundos separados?
A resposta começou a tomar forma no Essential Beats, um encontro criado para mostrar que é possível começar o domingo ouvindo boa música, conhecendo pessoas, praticando yoga, tomando um bom café e vivendo novas experiências, tudo isso sem álcool.
“O Essential Beats é sobre sentir a música, mas também lembrar de sentir o nosso próprio ritmo interior”, resume Fernanda.

Muito Mais Que Um Evento
Fernanda acredita que o verdadeiro bem-estar nasce das conexões. Depois de conhecer a aromaterapia e mergulhar em uma visão mais holística da saúde, passou a enxergar que cuidar de si envolve muito mais do que o corpo físico.
Foi dessa forma que nasceu a proposta do evento: criar um espaço onde pessoas diferentes pudessem se encontrar, trocar experiências e descobrir novos caminhos.
Cada participante chega por um motivo. Alguns vêm pela música. Outros pelo yoga, pelo cacau, pela aromaterapia, pelo café ou simplesmente pela curiosidade.
E, segundo ela, é justamente essa diversidade que torna cada edição única.

A Força Das Conexões
A primeira edição foi um teste. Na terceira, Fernanda sentiu que o Essential Beats já tinha encontrado uma identidade própria.
Nesse processo, algumas pessoas deixaram de ser apenas participantes e passaram a fazer parte da história do projeto.

Foi o que aconteceu com Cris Chase. Ela chegou à primeira edição como convidada, sem imaginar que aquele encontro seria o começo de algo que continuaria muito além daquele domingo.
A afinidade entre as duas se transformou em amizade e, com o tempo, também em parceria na construção do Essential Beats. “As amizades não podem ser planejadas. Mas podemos criar espaços onde elas tenham a oportunidade de nascer.”
E talvez esteja aí uma das coisas mais bonitas do evento: reunir pessoas que chegam por caminhos diferentes e deixar que, a partir dali, novos encontros encontrem o seu próprio caminho.

O Trabalho Que Ninguém Vê
Um evento que dura poucas horas começa a ser construído meses antes. Escolha do espaço, parceiros, programação, divulgação e inúmeros detalhes precisam encontrar o seu lugar para que, no dia, tudo pareça acontecer naturalmente.

Para Fernanda, esse talvez seja um dos maiores desafios: transformar uma ideia em algo que outras pessoas consigam não apenas compreender, mas sentir.
E foi justamente nessa edição que ela conseguiu enxergar isso acontecendo.
No encerramento, enquanto o DJ Nona ainda tocava, começaram os sons das tigelas de cristal de Sean Planet Shanti. Aos poucos, a música e as frequências dos cristais se encontraram, criando um momento que nem mesmo quem estava envolvido poderia prever exatamente como seria.
“Foi um dos poucos momentos em que consegui parar e realmente sentir a experiência.”
Talvez tenha sido também a melhor resposta para tantos meses de preparação: por alguns minutos, ela pôde simplesmente estar ali e viver aquilo que um dia existiu apenas como uma ideia.

O Futuro
Fernanda imagina o Essential Beats crescendo de forma natural, reunindo pessoas de diferentes culturas e, quem sabe, chegando também a outros países.
Mas sem perder aquilo que deu origem ao projeto: a ideia de que é possível celebrar de outra forma. Mais do que ampliar o evento, ela quer ampliar essa possibilidade e continuar criando encontros onde cada pessoa possa encontrar aquilo que faz sentido para ela.

Talvez o Essential Beats seja exatamente isso: um espaço para descobrir que o domingo pode começar de um jeito diferente e que bons encontros, às vezes, continuam muito depois que a música termina.
A próxima edição está prevista para o outono, em Tóquio. Ainda não sabemos todos os detalhes, mas já existe aquela curiosidade boa para descobrir o que vem pela frente.
Depois de viver essa manhã de perto, confesso que também estou esperando pela próxima edição.
