Café na FOODEX: Descobertas que Encantam

Como publiquei anteriormente, fui convidada a participar da FOODEX Japan, em Tóquio, como imprensa. Essa é a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia, um verdadeiro paraíso para quem trabalha ou se encanta pelo universo gastronômico.

Na cobertura do evento, optei por dividir minha experiência em duas partes. A primeira, já publicada, abordou as tendências em equipamentos, acompanhamentos doces e salgados, embalagens e itens voltados para cafeterias.
Mas hoje, quero me dedicar exclusivamente a um tema que me move: o Café.

Um evento que não era de Café… mas tinha Cafés!

Apesar da FOODEX não ser voltada exclusivamente ao mundo do café, bastaram alguns passos entre os corredores da feira para que minha atenção fosse capturada.

Entre um equipamento inovador e uma nova proposta de embalagem, surgiram empresas, produtos e pessoas ligadas ao café — e foi aí que meu coração bateu mais forte.

A presença do café na feira não era numerosa, mas era significativa. Mesmo em meio a milhares de expositores de alimentos e bebidas de todo o mundo, quem trabalha com café sempre encontra uma forma de se reconhecer entre os grãos.

Cada encontro, conversa e amostra recebida foi uma porta aberta para novas descobertas, sabores e conexões. E como sempre acontece quando o assunto é café, não é preciso muito para que grandes experiências surjam em pequenos detalhes.

Um filtro feito à mão, um aroma inesperado vindo de um grão de origem incomum, um produtor orgulhoso contando a história por trás da colheita…

Tudo isso me fez lembrar por que escolhi trilhar esse caminho: porque o café, mesmo quando não é o protagonista, sempre encontra um jeito de roubar a cena.

O Filtro de Madeira que me Conquistou…

Durante a feira, fui surpreendida por um presente especial: um filtro de madeira artesanal Yasukiyo. Feito à mão no Japão, essa peça une beleza, funcionalidade e tradição, e foi amor à primeira vista.

https://0141coffee.jp/

A madeira utilizada, com acabamento em laca sintética, oferece um isolamento térmico natural, mantendo a temperatura da água mais estável durante a extração. Isso favorece uma infusão mais equilibrada e aromática, revelando o melhor de cada grão.

Ao contrário de filtros de metal ou plástico, a madeira permite um fluxo mais suave e uniforme, intensificando as notas aromáticas do café.

Além da técnica, existe um valor emocional ali. O toque da madeira, sua textura, o design minimalista e ao mesmo tempo acolhedor, transformam a simples ação de coar café em um pequeno ritual diário. É uma peça que encanta tanto pela estética quanto pela experiência sensorial que proporciona.

Cada unidade é única e o fabricante me presenteou com essa peça linda.

Além disso, carrega também um importante valor simbólico: é feito por artesãos japoneses, seguindo técnicas tradicionais de marcenaria e lacagem, que tornam cada unidade única.

Isso valoriza o trabalho manual e o uso consciente dos materiais, resultando em um acessório durável, sustentável e com potencial de se tornar ainda mais bonito com o passar do tempo, graças à pátina natural que a madeira adquire.

Se você busca um acessório que vá além da funcionalidade e transforme o preparo do café em um momento de conexão, esse filtro é uma escolha que une alma e propósito. Fiquei encantada não apenas com o design, mas com a sensação de pertencimento e beleza que ele trouxe para minha rotina. Saiba mais sobre o filtro aqui  Fiz um vídeo bacana com o filtro aqui

Amostras Mexicanas: um Blend com História

Outro momento marcante foi quando recebi duas amostras de cafés verdes da Pachupa, do México. Cultivados a 1.200 metros de altitude, esses grãos apresentavam um Q-Grader Score de 85,25, ou seja, uma pontuação que os coloca entre os cafés especiais.

Curiosa, fiz um blend de torra com o objetivo de realçar as notas sensoriais que identifiquei logo no primeiro contato: fragrância de baunilha, castanhas e caramelo, sem perder o perfil frutado marcante.

Pachupa, um mundo de descobertas em cada xícara de Café.

O resultado foi um café com doçura intensa, corpo médio e acidez equilibrada, ideal para métodos como coado ou V60. Obviamente, usei o filtro de madeira, acima mencionado, que já virou o meu queridinho.

Myanmar: Uma Origem ainda pouco conhecida (mas promissora)

Outro achado que merece destaque foi um café arábica vindo de Myanmar.
A produção de cafés especiais no país vem crescendo nos últimos anos, com destaque para regiões como Mandalay e Shan, onde as plantações ficam em altitudes entre 1.300 e 1.500 metros.

As variedades cultivadas, como Catimor e Jember, têm se destacado por seus perfis sensoriais exóticos, que podem apresentar notas de caramelo, chocolate, frutas tropicais e florais, dependendo do processo de pós-colheita.

Embora ainda pouco explorado no Japão, percebi um interesse crescente dos japoneses por esse tipo de café – principalmente aqueles que valorizam origens novas e perfis aromáticos inusitados.

Um Mundo de Descobertas em Cada Xícara

A FOODEX me mostrou, mais uma vez, que o universo do café está em constante movimento — mesmo onde ele não é o protagonista. Foi entre estandes de alimentos e bebidas do mundo todo que encontrei peças únicas, grãos raros e conexões que me tocaram profundamente.

Pude conhecer um filtro que me inspira, experimentar cafés de origens surpreendentes e, acima de tudo, reafirmar meu amor por essa bebida que atravessa culturas, histórias, gerações e sentidos. O café, para mim, é mais do que uma profissão — é um caminho que escolhi com o coração.

Cada passo desse ciclo tem um propósito. E quando se ama o que faz, cada experiência, cada erro, cada acerto se transforma em aprendizado e crescimento. O conhecimento que levo comigo não surgiu do acaso — ele é fruto de muito estudo, de noites em claro, de investimento de tempo, energia, dinheiro e, principalmente, de entrega verdadeira.

É por amor ao que faço que eu não tenho medo de arriscar. Porque eu confio no processo. Porque sei que vai dar certo — e mais do que isso, já deu certo. Hoje, olho para trás com orgulho e para frente com entusiasmo.

A segunda parte da minha cobertura termina aqui, mas o percurso do café nunca acaba. Sigo com a mala cheia de curiosidade, afeto e cafés especiais — prontos para a próxima aventura.

E ela já tem destino certo: Genebra, na Suíça. Lá, terei a honra de trabalhar no World of Coffee, um dos maiores eventos internacionais dedicados ao universo que me move. Com o coração leve e cheio de gratidão, sigo fazendo o que mais amo: compartilhar histórias que nascem em torno de uma xícara.

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