Com Muitas Emoções: Marrocos

Desde que passou a novela O Clone eu queria muito conhecer o Marrocos, país do norte da África. Acho que a maior parte das pessoas que viram a trama global sonhou com isso.
Muuuuuito tempo se passou até eu finalmente conseguir realizar o sonho.  Em vez, porém, de ir a Fez onde ficava o núcleo marroquino da novela, resolvi conhecer Ourzazate.
O Clone – considerada a novela do século. Photo: Divulgação
A palavra Ourzazate tem origem de uma frase árabe e significa “sem ruído” e esta cidade é apelidada de “Hollywood da África”, pois há vários estúdios de cinema, inclusive um dos maiores do mundo, o Atlas Studios.

Isso foi um dos motivos de eu ter escolhido conhecer essa cidade. Lá, foram rodadas cenas de filmaços como Lawrence da Arábia, O Homem Que Queria Ser Rei, A Última Tentação de Cristo, Gladiador, Alexandre o Grande, Game of Thrones e muitos outros filmes de sucesso.

Cenas de Game of Thrones Photo: Divulgação

Outro motivo foi o óleo de argan, usado para tratar pele e cabelo, que era uma novidade, estava em alta na época e continua. Parece que em tudo hoje em dia tem o tal óleo de argan, do qual sou usuária.

Eu queria ver como era preparado mas como era final e começo do ano as fábricas estavam fechadas, o que eu só encontrei foi um monte de falsificações baratas vendidas em todo lugar! Essa é uma das desvantagens de viajar no final do ano.

O Começo da Aventura

Em Marrocos, primeiro passamos por Marrakesh, uma das maiores cidades marroquinas. Quando chegamos, já havia um motorista nos esperando no aeroporto minúsculo, mais parecido com uma pequena rodoviária de cidade do interior e dali fomos para o riad.

Como já era muito tarde, as lojas da medina, o centro histórico da cidade, que é cercado por muralhas, estavam fechadas. Carros não passam por lá, então tivemos que percorrer o caminho até nosso riad carregando as bagagens. Riads são antigos casarões, especialmente na medina, que foram convertidos em pousadas.

Para ser honesta, deu um bocado de medo ficar andando por aquele caminho de becos escuros e esburacados quanto mais andávamos mais feio os becos iam ficando…   enquanto grupos de homens nos observavam. Para piorar: guiadas por um completo desconhecido.

Esse é o beco que nos levou até o riad.  E a medina durante o dia.

Naquela hora, meio que me arrependi de ter arrastado Reiko comigo, a minha fiel companheira de viagem  Como explicar para a família dela se algo de ruim acontecesse? Apesar dos meus medos, chegamos ao nosso destino direitinho e descobri no caminho que o nosso motorista era um homem extremamente culto e fluente em 8 idiomas!

Quando a porta se abriu, fiquei espantada. Me senti como a Alice no País das Maravilhas passando pela porta mágica! Parecia um cenário de filme. Fomos recebidas pelos nossos anfitriões, um simpático casal de franceses, Pierre e Gabrielle, donos do Riad Adore.

O local combinava luxo e muiiiiito bom gosto. As paredes do lado de fora tinham o marrom típico da medina.  Por dentro, era tudo branco. Uma coisa que me chamou atenção foi a piscina bem no meio da sala! Esse arranjo se deve ao fato de que as mulheres arábes não expõem seus corpos nas piscinas públicas.

Outro motivo pelo qual me encantei foram os vasos, enormes, espalhados pelo ambiente, com as cortinas, feitas de sedas transparentes, coloridas e as luminárias marroquinas que deixam qualquer ambiente aconchegante.

Como no dia seguinte já seguiríamos para Ourzazate, aproveitamos pelo menos para conhecer a Praça Jemaa el Fna, que é a principal praça de Marrakesh. Quem nos guiou por ela, de madrugada, foi o nosso anfitrião Pierre.

Tivemos uma recepção calorosa dos franceses Pierre e Gabrielle.

A praça é muito animada, mas não espere encontrar lindas arquiteturas ou outras belezas. O que desperta o interesse dos turistas nesse enorme lugar é através das inúmeras barracas de comida, muita comida!

As lojinhas tem todo tipo de produto, tudo brilha tanto que após alguns minutos você nem sabe mais o que  comprar.

A música é tocada ao vivo, existem alguns encantadores de serpentes (desses eu passo longe) e as mulheres que fazem tatuagens com henna. Essa praça é o lugar ideal para conhecer melhor a cultura, os hábitos e costumes desse povo.

Esse comerciante ao meu lado é uma das pessoas mais engraçadas que conheci na vida!

Isso atrai turistas de todas as partes do mundo. Aliás, como você pode imaginar, os comerciantes ficam de olho nos turistas e somos literalmente perseguidos o tempo todo! 

Pierre aproveitou para dar um conselho inestimável: não olhar ninguém nos olhos porque as pessoas encaram isso como uma permissão para ficar em cima de você.

Os homens encaram como um flerte e para quem gostaria de uma aventura amorosa no Marrocos (pelamor!) é só olhar nos olhos de um homem. Eles grudam feito carrapatos e em menos de 10 minutos te pedem em casamento! 

Nossa passagem por Marrakesh foi maravilhosa. Até hoje, lamento não ter reservado mais um dia para ficar na cidade.

Despedi-me da cidade do terraço do Riad de Pierre e Gabrielle, mas tenho certeza de que foi apenas um “até logo”, não um “adeus”. Um dia vou rever aquela cidade e os amigos que fiz por lá. Inshallah!

Me despedindo de Marrakech…..quero voltar!

Ourzazate e Uma Quase Noite no Deserto

No dia seguinte, sem dormir, chegamos à rodoviária muito antes do horário de partida do nosso ônibus, mas aprendi que pontualidade não é necessariamente uma das características do povo marroquino. O atraso foi de quase três horas e os passageiros estavam levando numa boa.

Depois de anos lidando com a meticulosidade da Terra do Sol Nascente, fica quase difícil acreditar que algo assim seja possível. E para quem me conhece, já deve imaginar o tamanho da minha irritação, que ali não serviu para nada.

O colorido do artesanato dá um charme à paisagem árida.

Bom, mas finalmente pudemos embarcar e nossa aventura continuou. A viagem, serpenteando uma cordilheira, é longa e cansativa. Não há muita mudança de paisagem pelo caminho.

Mas, se você gosta de terra avermelhada e de muito ocasionalmente, ver uma tamareira ou outra ou objetos à venda na beira da estrada a paisagem vai satisfazer seus gostos.

Em Ourzazate, ficamos no Riad da Rita, pertencente a dois irmãos portugueses, Rita e João Leitão. Fomos muito bem recebidas por eles, são ótimos anfitriões, o riad também é lindo e bem localizado.

A Reiko, eu e os irmãos Rita e João Leitão

Já era dia 31 de dezembro, então nosso reveillon combinou comida portuguesa, incluindo bacalhau, música berbere ao vivo e … água, muita água, jarros enormes,  porque bebidas alcoólicas, como costuma acontecer em países árabes, são proibidas! Um hóspede português havia trazido um vinho branco na mala e ali brindamos com um dedinho da iguaria.

No outro dia conhecemos os Estúdios de Cinema Atlas e CLA. Lá se produzem muitos dos filmes de Hollywood rodados em Marrocos. Tivemos sorte: éramos as únicas visitantes, entramos sem precisar pagar e ainda nos deixaram totalmente à vontade.

Imagine um parque de diversões todinho para você!

Pudemos tocar tudo e é muito mágico estar em lugares onde foram rodados muitos filmes que encantaram multidões, passamos horas incríveis com nosso guia nos contando como são produzidos os cenários, quase tudo em gesso. Como não vai dar para postar todas as fotos que tiramos, deixarei o link do site aqui.

Estúdios de Cinema Atlas e CLA. Fabuloso!

Dali fomos para outros dois pontos culturais famosos, Kasbah de Taourirt e Kasbah Ait Benhaddou. Passear pelos becos de lá dá a impressão de voltar a um mundo em que os hábitos antigos foram preservados e o tempo parece andar mais devagar (muito devagar) com as pessoas vivendo vidas menos estressantes e aparentemente felizes.

Para fechar a viagem (essa foi para fechar mesmo!)  tínhamos planejado dormir em um acampamento de tendas no deserto. O que não sabíamos é que seríamos as únicas pessoas lá (de novo).  É que era inverno no Hemisfério Norte e a procura pelos turistas é maior no verão.

Tendas no deserto, muito longe dos cenários de filmes.

As acomodações eram bem sujas e tomadas pela areia. Não havia água. Um senhor idoso havia sido contratado para preparar nossa comida, que consistiria de chá e pão. Admito que fiquei muito desconfiada e perguntei onde seriam feitos nossos pães.

Depois de insistir algumas vezes na pergunta, finalmente nosso guia disse meio sem-graça que os pães seriam esticados nos joelhos daquele senhor.

Para mim, não deu, acabou ali o sonho das arábias.  Achei intolerável aquilo. A experiência pelo menos serviu para lembrar que filme é filme e realidade é realidade.

A realidade em países como o Marrocos é dura e as pessoas fazem o melhor que podem para lidar com ela. No caso, aquilo era o melhor que podiam oferecer e nós entendemos. Dispensei o café preparado na areia e na pressa em dizer não, não consegui nenhuma foto boa.

Oasis Skoura

No caminho de volta, demos uma parada no Oasis Skoura, uma beleza incrível no meio do nada, que mesmo da estrada tivemos uma visão extraordinária. E ali, apesar de todo o cansaço, sem toilet e com a bexiga cheia, demos boas risadas.

Agradeci pelas experiências intensas que tivemos nessa viagem e apesar de tudo, não me arrependo em nenhum momento de nada. Viajar é isso. Nem sempre tudo sai exatamente como planejamos e temos que nos adaptar com a realidade do país que visitamos, com um pouco de bom humor.

E não vim do Marrocos de mãos abanando não…..aprendi a preparar o tradicional chá marroquino, delicioso, refrescante. Trouxe na mala de mão a chaleira tradicional e ensino a bebida também no Curso de Barista.

Sim, nós fomos parar pra lá de Marrakech.

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