Apesar do calor intenso do mês de junho na Turquia e da longa e exaustiva viagem de ônibus de Istambul, chegar em Pamukkale foi simplesmente mágico!
Aliás, já vou começar falando disso: a diferença no valor da passagem do avião e do ônibus nem é tão significativa, então eu nem indicaria que façam essa economia. O vôo de Istambul até Denizli leva aproximadamente 1 hora e de ônibus são aproximadamente 14 horas!
Como a grana estava curta e foi uma viagem improvisada dentro de outra (o artigo anterior está aqui) quis economizar e fazer a viagem a noite, pensando que dormiria já que eu havia comprado uma passagem de leito. No meu caso foi um sonho impossível!

O ônibus para vaaaaárias vezes para pegar passageiros na estrada. A cada parada, as luzes se acendem. Aí vem a família turca (imensa), no mínimo 3 crianças e muitas, muitas sacolas.
Até que todos encontrem os respectivos lugares e resolvam quem sentará na janelinha, já se foram 10 minutos! Mas a tortura maior é quando resolvem abrir os pacotes de salgadinhos, afinal todos estão felizes e comer na viagem faz parte do roteiro não é?
A moça que sentou-se ao meu lado, veio com um balde cheio de mixiricas e as degustava sem o menor constrangimento enquanto o sumo da fruta vindo na minha direção.
Lá pelas tantas da madrugada, quando você pensa que finalmente todos irão dormir, tem uma travessia por balsa, que dura aproximadamente 1 hora e todos são obrigados a sair do ônibus, já que o motorista desliga o ar condicionado.
Nessa hora você se arrepende da escolha do transporte e pagaria o dobro para chegar logo ao destino final. Estou contando essa história para que não cometam esse mesmo erro, já que poderiam usar esse tempo perdido dentro de um ônibus, explorando os lugares incríveis que o país oferece.
E apesar de tudo eu não poderia deixar de compartilhar o que vi num dos mais belos lugares do mundo, que divide a sua vasta área com as ruínas de Hierápolis, cidade histórica.
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Castelo de Algodão – Patrimônio Mundial
Pamukkale, que em turco significa Castelo de Algodão, é um agrupamento de piscinas termais feitas de calcário, localizadas nas proximidades de Denizli, distrito do sudoeste turco. No decorrer dos séculos, se transformaram em gigantes bacias de água que caem em uma colina como cascata.

Sua formação é explicada pelos locais térmicos em altas temperaturas, que ficam por baixo do monte, provocando o derramamento de carbonato de cálcio.
Suas águas são claras, mas não transparentes, pela presença de minerais. Logo após, sofrem solidificação e se transformam em mármore travertino. Suas montanhas têm mais de 200 m de altura e as temperaturas por lá passam dos 40 °C.
A parte aberta à visitação de Pamukkale foi construída de forma artificial, para proteger a estrutura original, divididas em pavimentos abaixo da parte destinada aos turistas.
Declarado em 1988 como Patrimônio Mundial, pela UNESCO. Desde então não é permitido nadar nas piscinas, poderá entrar apenas de pés descalços, ação essa controlada por guardas para terem certeza do cumprimento da regra. A entrada custa 35 liras turcas.
Protetor solar e óculos escuros são indispensáveis, para a prevenção das possíveis queimaduras no corpo que o reflexo da luz solar no solo branco pode provocar.

Um dos mais belos espetáculos naturais do mundo é o seu pôr do sol. Aliás, foi o melhor que eu tive em toda a minha vida. A visão da montanha de calcário, onde o branco se misturava com a paisagem árida com o verde das oliveiras e a vista das ruínas de Hierápolis, das arenas, foi um choque.
Eu não conseguia acreditar no que estava vivenciando e o quanto a minha vida tomaria um rumo diferente a partir daquela viagem!
E esses brincos enormes e roxos… Eu havia comprado há algum tempo numa lojinha de estação em Tóquio, mas não tinha tido coragem de usa-los.
Sempre os colocava na mala e não usava. Mas em Pamukkale foi diferente. Pensei: nunca mais voltarei aqui, ninguém me conhece, então é hoje!
Engano meu! Isso é uma prova de que não temos controle de tudo em nossas vidas. Voltei outras vezes e percebi o quanto esses brincos ficaram marcados na memória das pessoas que conheci e até hoje eles fazem parte das nossas divertidas conversas.
A Piscina de Cleópatra
Nas proximidades da Cidade de Algodão, localiza-se a Antique Pool, conhecida como Piscina Sagrada ou Piscina de Cleópatra. Contam que foi construída a pedido da rainha do Egito.

Estas águas não são apenas históricas, possuem propriedades curativas, parecendo um verdadeiro spa no meio de uma natureza exuberante, com jardins e árvores diversas.
A temperatura de suas águas geralmente é de 35°C, permitindo uma imersão prazerosa e relaxamento. Além de conduzir a uma volta no tempo, com a presença de colunas e outros artefatos pertencentes aos tempos do Império Romano.
Ao contrário da água turva das piscinas brancas de Pamukkale, as de Antique Pool são límpidas. O antigo se confunde com o moderno.

A sua estrutura de segurança incluem degraus com corrimão de aço e salva-vidas ao redor das piscinas.
Armários, banheiros e restaurantes são oferecidos pelo Centro Turístico, mediante o pagamento de um adicional no ingresso, proporcionando maior conforto e tranquilidade no passeio.
Hierápolis, a Cidade Sagrada em ruínas
Na mesma área de Pamukkale encontramos Hierápolis, erguida no século II, mais precisamente em 197 a. C.. Significa “Cidade Sagrada”, pelo fato das águas da região serem consideradas medicinais e rejuvenescedoras.
Segundo registros, as fontes termais do Castelo de Algodão transformaram o lugar em um centro de cura. Localizada no vale do rio Lico, após o domínio do Império Romano, em 133 a. C. e a ocorrência de um terremoto no ano de 60, Hierápolis ainda teve um período de triunfo entre 196 e 215, caindo em uma nova derrocada no século VI.
Ficou transformada em ruínas. Sua visita é incluída no mesmo ticket de pagamento para entrar em Pamukkale.
Inesquecível e Frágil
A minha paixão por este lugar é tão grande que já pintei 3 quadros da montanha. Mas Pamukkale corre sérios riscos.
A sua extinção é um perigo a ser observado, pela diminuição do volume de água, fundamental para a manutenção das formações calcárias.
A contaminação das águas pelos agrotóxicos das fazendas próximas também colabora para isso. Vamos torcer para que esses fatores não apaguem a luz que este lugar irradia para a Humanidade.